Por que me recuso a ser escravo do Instagram e trabalhar de graça para o Zuckerberg

Redes Sociais: Eu tentei mas não consegui

Eu abri o Instagram do VéidoBlogue com o tal “espírito empreendedor” que os gurus do Marketing Digital adoram vender. Mas toda vez que entro naquela interface desenhada por psicólogos de cassino, sinto cheiro de mofo intelectual. É uma preguiça que não nasce no sofá — nasce no estômago. A preguiça de participar de um circo em que o palhaço é o dono do perfil e o chicote é o algoritmo.

Se você olhar lá no rodapé do Veidoblogue, vai ver os links para minhas redes sociais. Eu as criei, mas confesso: tenho preguiça de postar. E a culpa não é minha, é da arquitetura do caos que essas plataformas viraram.

O Facebook se transformou em um parquinho ou hospicio em chamas, onde a tia do “bom dia” divide espaço com o tio do “golpe militar”, tudo regado a notícias falsas e lavagem de roupa suja em grupo de condomínio além de golpes patrocinados. O Instagram é ainda mais cruel: é a ditadura da estética, onde você precisa parecer rico, feliz e magro para que o algoritmo, talvez, mostre sua cara para três pessoas. É um deserto de gente de plástico vendendo cursos de como ser de plástico.

E quando achamos que não podia piorar, veio o TikTok. Ali não é nem mais sobre pessoas, é sobre o “fluxo”. É o vício em estado puro, uma metralhadora de vídeos que te impede de pensar por mais de dez segundos. É o desespero pela atenção transformado em espasmo coreografado. Já o Twitter (ou X, que seja) virou um ringue polarizado, Bozos contra Moluscos, onde qualquer tentativa de nuance é esmagada por uma horda de gente que já chega gritando.

A mentira repetida mil vezes: “se não postar, não existe”

A “Gurulândia” decretou: quem não posta três Reels por dia, evapora. Decretaram que o texto morreu, que ler é cansaço, que pensar é perda de engajamento. Segundo eles, tudo precisa virar vídeo mastigado em 15 segundos, com legenda neon pulando na sua cara como se você fosse um labrador distraído.

Pois eu digo o contrário: se alguém não consegue ler três parágrafos sem ter um espasmo de tédio, o problema não é o meu texto. O problema é um cérebro passado na airfryer da rolagem infinita.

O buraco negro do Zuckerberg que engole o seu tempo (e devolve nada)

Instagram não é rede social — é um buraco negro de tempo cuidadosamente polido. Eles querem você ali, imóvel, babando na tela, consumindo vidas plastificadas, vídeos de comidas, filtros que escondem a alma e realidades editadas como trailer de filme. É um ecossistema de fakes, golpes e uma positividade tóxica que transforma viver normalmente em fracasso.

A cena real: minha mãe no Kwai

Até minha mãe virou refém. Fica ali, no Kwai, hipnotizada por vídeos que não dizem absolutamente nada. Quando pergunto por que continua vendo aquilo, vem a frase que parece atestado de óbito da nossa era:

— “É pra passar o tédio.”

Criamos uma máquina que cura o tédio produzindo imbecilização em série. É a dieta da dopamina barata: você consome até enjoar… e continua com fome de algo real.

E nem culpo ela — culpo a máquina que foi feita para capturar.

Recado direto: não vou trabalhar de graça para o menino Zuquinho

Eu me recuso a ser funcionário não remunerado do algoritmo do Mark Zuckerberg — ou “menino Zuquinho”, como prefiro chamar. Esse blog, esses textos, é onde eu desabafo sem precisar de “hook” nos primeiros três segundos, música tendência ou carão na frente da câmera.

Se um dia isso render uns trocados, ótimo. Se não render, já pagou: pagou em sanidade.

Não vou seguir “regrinhas de ouro” do marketing digital. Minha escrita não é sabonete para prateleira — é honestidade sem embalagem. E definitivamente não vou engordar o império do Zuquinho postando de graça enquanto ele fatura bilhões com minha atenção.

Ainda existem ilhas fora do naufrágio?

Existem refúgios? Sei não! Substack e Medium me causaram curiosidade mas ainda preciso observar melhor se vale a pena. À primeira vista, parece que nessas plataformas o pensamento consegue sobreviver de maneira um pouco mais… tolerável, sem depender de filtros ou trends. Reddit também tem suas comunidades exóticas, com discussões específicas, mas nada que me faça crer que escaparei totalmente da fritura mental.

Os sobreviventes

Vou continuar aqui, no meu Veidoblogue, escrevendo para os sobreviventes da grande fritura cerebral.

Escrevo porque preciso. É meu expurgo terapêutico, minha forma de dar uma relaxada sem precisar pagar divã ou fingir que medito. É onde jogo pra fora o que ferve dentro, sem filtro, sem curadoria de marca pessoal, sem medo de desagradar o santo algoritmo.

Não escrevo para viralizar. (Mas se der um cascalho não dispenso) Escrevo para não enlouquecer.

Se o algoritmo me enterrar, paciência. Prefiro ser lido por dez pessoas presentes de verdade do que virar número fantasma em vídeo de cinco segundos que ninguém lembra no dia seguinte.

Vou continuar aqui, neste canto da internet onde ainda é permitido pensar em voz alta, errar a vírgula, escrever demais, não ter “gancho emocional” e simplesmente existir sem precisar performar.

Outros desabafos deste blog que o algoritmo odeia:

Se você ainda não teve um ataque de ansiedade, leia isso aqui:

🔥 E você, também tá cansado do circo digital?

Se este texto fez sentido pra você, deixa um comentário aqui embaixo contando sua experiência com essa prisão algorítmica.

Ou melhor ainda: compartilhe com alguém que ainda acha que “precisa postar todo dia pra existir”. A ironia de compartilhar um texto anti-rede-social nas redes sociais é livre. 😏

💬 Novo por aqui? Este blog é um refúgio para quem ainda consegue ler mais de três parágrafos sem ter um ataque de ansiedade. Bem-vindo aos sobreviventes da fritura cerebral.

Deixe um comentário