Puddles Pity Party: A Jornada de Mike Geier de Rato Esponja ao Palhaço Gigante

Um Palhaço, uma Música e um Mistério: Minha Jornada Até Mike Geier

Há músicas que grudam na cabeça como chiclete no sapato, e há artistas que nos fazem questionar por que não os conhecíamos antes. Minha história começa com “Princess Cruiser”, uma canção que ouvi num desenho bizarro da Adult Swim, 12 oz. Mouse “O Rato Esponja” como é conhecido (bem pouco) no Brasil.

Aquela melodia exótica, com bongôs e uma voz grave que parecia saída de um bar tiki, me pegou de surpresa. Anos depois, enquanto vasculhava o YouTube, encontrei um palhaço triste chamado Puddles Pity Party cantando músicas como “Where Is My Mind” e “Space Oddity”.

A conexão só se tornou clara quando vi esse mesmo palhaço entoando “Princess Cruiser” e, após uma busca frenética na internet, o véu caiu: Puddles Pity Party e a banda Tongo Hiti eram criações do mesmo cara, Mike Geier. Este é o relato da minha jornada, uma odisseia musical que me levou a um dos artistas mais geniais da atualidade.

Rato Esponja  - 12 oz mouse

O Começo: Uma Música que Não Me Largava

Era 2005, e eu estava zapeando na TV quando parei em 12 oz. Mouse, uma série da Adult Swim que parecia desenhada por alguém em crise existencial. No meio do caos, ouvi “Princess Cruiser”. A música, com sua vibe tropical e letras sobre paixão e traição, era como um coquetel de rum servido numa praia deserta. “Passion hides in painted smiles / Tropical liaisons wet and wild”, cantava uma voz grave, embalada por bongôs e um bastão de chuva. A melodia não saía da minha cabeça.

Naquela época, o YouTube era um terreno novo e eu, como um detetive sem noção, procurei por “música estranha de 12 oz. Mouse (Rato Esponja)” a “Princess Cruiser”. Finalmente, descobri que a faixa era de uma banda chamada Tongo Hiti, um grupo de Atlanta que fazia música tiki, um som exótico que remete a bares dos anos 50 com tochas e coquetéis com guarda-chuvinhas. Anotei o nome, mas a vida seguiu, e Tongo Hiti ficou como uma memória distante.

Tongo Hiti

O Desvio Inesperado: Um Palhaço que Canta como um Trovão

Anos depois, o algoritmo do YouTube me apresentou a Puddles Pity Party. Um palhaço gigante, com maquiagem branca, coroa dourada e um olhar que parecia carregar o peso do mundo. Ele não falava, comunicando-se apenas com gestos e mímica. O primeiro vídeo que vi foi o cover de “Where Is My Mind” dos Pixies. A voz dele, um barítono que parecia sair das profundezas, transformou a música numa experiência que era meio punk, meio ópera. Fiquei imediatamente fascinado.

Puddles Pity Party Mike Geier

By Steven Friederich – Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=156498174

Depois veio “Space Oddity” do David Bowie, onde Puddles cantava como se fosse o Major Tom perdido no espaço, mas com uma melancolia que Bowie talvez aprovasse. Seguiram-se “My Heart Will Go On” da Céline Dion, War Pigs do Sabbath, Dancing Queen do Abba (vídeos com mais de 27 milhões de visualizações) e “Hallelujah” de Leonard Cohen. Cada cover era uma reinvenção, e Puddles se tornou minha nova obsessão. Quem era esse palhaço que não falava, mas cantava como se estivesse confessando os pecados da humanidade?


O Momento da Virada: “Princess Cruiser” Ressurge

Recentemente, enquanto navegava pelo canal do Puddles, levei um soco no estômago: lá estava ele, o palhaço triste, cantando “Princess Cruiser”. A mesma música de 12 oz. Mouse, com aquela voz grave que parecia ecoar de um luau em outra dimensão. Meu cérebro entrou em curto-circuito. “Como assim? É a mesma voz?”, pensei. A melodia, os bongôs, a vibe tiki – tudo batia.

Resolvi cavar mais fundo. Pesquisei “Puddles Pity Party, Princess Cruiser” e “Tongo Hiti” em diversos sites e fóruns. Aos poucos, a verdade veio à tona: Puddles Pity Party e Tongo Hiti eram projetos do mesmo cara, Mike Geier, um artista de Atlanta com um talento tão grande quanto sua altura (2,03 metros). A ficha caiu, e eu me senti parte Sherlock, parte palhaço – o que, pensando bem, combina com a vibe do Puddles.


Quem é Mike Geier? O Gênio Por Trás do Puddles Pity Party, e do Tongo Hiti

Agora que o mistério estava resolvido, era hora de entender quem é Mike Geier. Nascido em 1964 na Filadélfia, Geier cresceu numa família apaixonada por música. Essa mistura familiar moldou um artista que não tem medo de misturar gêneros, estilos e emoções.

Geier se mudou para Atlanta em 1995 e construiu uma carreira que é um verdadeiro circo. Ele liderou bandas como The Useless Playboys (swing noir), Kingsized (rock e soul) e Tongo Hiti, que mergulha na cultura tiki com músicas que parecem trilha de um luau psicodélico. Tongo Hiti lançou o EP Honi Ko’u Ule em 2006, com “Princess Cruiser” como destaque. A música, usada em 12 oz. Mouse, é puro tiki: bongôs, ukuleles e uma atmosfera que nos transporta para um bar com tochas e coquetéis exóticos.

Mas o maior triunfo de Geier é Puddles Pity Party, criado em 1998 e transformado em ato solo em 2010. Puddles é um palhaço triste inspirado no arquétipo de Pagliacci, com maquiagem branca, coroa dourada e uma voz que o New York Times chamou de “texturizada com melancolia”. Ele não fala no palco, usando mímica e adereços para criar shows que são uma montanha-russa emocional. De festivais como o Edinburgh Fringe a uma residência no Caesars Palace em 2019, Puddles conquistou o mundo com covers que vão de Blink-182 a Leonard Cohen, sempre com um toque de humor e tristeza.

Geier também marcou presença na TV (chegou às quartas de final do America’s Got Talent em 2017), colaborou com nomes como “Weird Al” Yankovic e A Perfect Circle, e tem um canal no YouTube com 863 mil inscritos e 98 milhões de visualizações. Sua versão de “The Sound of Silence”, por exemplo, tem mais de 5,2 milhões de views. Ele é um artista que transforma o comum em extraordinário, e minha jornada até ele prova que às vezes as melhores descobertas estão escondidas nas conexões mais improváveis.


A Cultura Tiki e o Papel de “Princess Cruiser” do Tongo Hiti

Para entender “Princess Cruiser”, é preciso conhecer a cultura tiki. Nos anos 40 e 50, os EUA se apaixonaram por uma versão romantizada da Polinésia, com bares temáticos, coquetéis tropicais e músicas que misturavam jazz, hula e ritmos caribenhos. Tongo Hiti, liderada por Geier, é uma homenagem a essa estética. “Princess Cruiser” é a essência disso: uma balada sobre amor e traição que soa como se fosse cantada num bar com tochas e drinques com nomes exóticos.

Em 12 oz. Mouse, a música ganha um toque de absurdo. A Adult Swim, sempre mestre em subverter expectativas, transformou uma canção romântica tiki em um elemento de caos psicológico. E, honestamente, funcionou. A trilha sonora do desenho, é um tesouro cult, e Geier contribuiu não só com “Princess Cruiser”, mas com o tema de abertura e outras faixas.


Por que Mike Geier é um Tesouro?

Minha jornada de O Rato Esponja até Puddles Pity Party foi um lembrete de que a arte não precisa fazer sentido para ser genial. Mike Geier é um cara que pega um gênero esquecido como o tiki, mistura com a melancolia de um palhaço e cria algo maior que a soma das partes. Ele é a prova de que se pode ser um gigante de 2 metros, cantar como um trovão e ainda fazer o mundo rir e chorar ao mesmo tempo.

Seja como líder do Tongo Hiti ou como o palhaço triste Puddles, Geier tem um dom raro: transformar o bizarro em universal. Sua música me pegou numa série de TV absurda, me levou a um canal do YouTube cheio de covers emocionantes e terminou com a revelação de que tudo estava conectado por um único artista. É o tipo de história que faz você querer gritar: “Por que ninguém me contou isso antes?”.


Convite: Mergulhe no Mundo de Mike Geier

Se você chegou até aqui, provavelmente está curioso. Então, faça um favor a si mesmo: vá ao YouTube e procure “Princess Cruiser” do Tongo Hiti. Depois, assista a “Where Is My Mind” ou “Space Oddity” do Puddles Pity Party. Deixe a voz de Mike Geier te levar para um lugar onde palhaços tristes, luais tropicais e desenhos malucos coexistem.

A jornada de descoberta é a melhor parte da música. Qual artista te levou por caminhos inesperados? Deixe sua história nos comentários.

Links de Referência

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