Se você pesquisar sobre os Músicos e Bandas do RN, vai encontrar muita coisa, mas poucos nomes que realmente explicam o DNA cultural desse Estado. Este panorama é um resgate necessário da história da música em Natal e no RN: uma discografia que atravessa gerações, dos ícones da Era do Rádio e da Jovem Guarda aos expoentes do metal extremo e do rock instrumental que colocaram o cenário potiguar no mapa mundial. É um olhar técnico e afetivo sobre os compositores e instrumentistas que construíram o legado sonoro desta terra, indo muito além do que toca nas rádios comerciais hoje em dia.
por um paulista que mora em Natal há 15 anos e ficou curioso o suficiente pra pesquisar
Tem uma coisa estranha que acontece em Natal. A cidade tem uma cena musical rica, antiga, com artistas que foram parar em gravadoras no Rio, em bandas de Paul Simon, tocando com Tim Maia, rainha do choro no Brasil inteiro — e mesmo assim, pergunte pra qualquer natalense quem são os grandes músicos daqui e você vai ouvir nomes que provavelmente não constam em nenhuma lista relevante.
Vim de São Paulo. Moro aqui desde 2012 — quinze anos no dia em que escrevi esse texto. Fui me acostumando com a cidade, com o sol às seis da manhã, com o vento do Atlântico, e em algum momento fui prestando atenção na música que circula por aqui. Esse artigo é o resultado disso. É só um olhar apontando os nomes que achei mais interessantes, os que me pareceram ter peso de verdade — isso é na minha opinião.
Esse artigo é o resultado dessa pesquisa. Não é lista de show pra esse fim de semana. É um panorama de quem realmente importou — e importa — na cena musical potiguar, do choro dos anos 40 ao death metal que sai daqui e vai parar em fanzines da Europa.
Ademilde Fonseca: A maior de todas — e a mais esquecida

Antes de falar de qualquer banda de baile, de qualquer guitarrista, de qualquer coisa: Ademilde Fonseca.
Nasceu em Macaíba em 1921, cresceu em Natal e foi embora pro Rio ainda jovem. Virou a maior intérprete do choro cantado que esse país já produziu. Rainha do Choro — não é apelido carinhoso, é título técnico. Cantou em Paris em 1952. Abriu o carnaval brasileiro de Nova York em 1984. Participou do Festival Internacional da Canção da TV Globo interpretando Pixinguinha. Trabalhou mais de dez anos na TV Tupi. Ficou na ativa até os 91 anos.
E Natal mal sabe que ela existiu.
Isso diz muita coisa sobre a relação dessa cidade com sua própria história musical. Mas vamos em frente.
Leno — o cara que foi e voltou ao esquecimento

O nome no registro era Gileno Osório Wanderley de Azevedo. Nascido em Natal, 1949, ele cresceu com o ouvido colado no rádio captando as frequências de Gene Vincent e Elvis Presley. Ainda adolescente, pegou a estrada rumo ao Rio de Janeiro com a coragem de quem não tinha nada a perder e um mundo a conquistar.
O destino não demorou a atender: descoberto pela gravadora CBS, formou com Lílian Knapp a dupla que virou febre nacional. Em 1966, não se ouvia outra coisa. “Pobre Menina” e “Devolva-me” eram hinos onipresentes. Leno era o “caçula da Jovem Guarda”, o rosto bonito que estampava revistas e partia corações de norte a sul, enquanto ainda sobrava fôlego para compor hits para o Renato e Seus Blue Caps.
Mas em 1968, quando a dupla se dissolveu, Leno decidiu que não seria apenas um eco do passado.
Enquanto muitos tentariam reciclar a fórmula do sucesso, ele mergulhou no novo. Encontrou em Raul Seixas — então um produtor inquieto na CBS — seu “parceiro de crime”. Juntos, pariram Vida e Obra de Johnny McCartney. Gravado na virada de 1970 para 71, o disco foi um choque: rock visceral, experimentalismo e uma lucidez política que a ditadura não deixou passar. Foi o primeiro álbum gravado em 8 canais no Brasil, mas nasceu silenciado. Censurado e mofando nos arquivos por décadas, só veria a luz do dia em 1995, graças ao faro do pesquisador Marcelo Fróes.
Leno teve a audácia de implodir uma carreira vitoriosa para ser fiel à própria arte. Trocou o ouro das baladas românticas pelo ferro do rock psicodélico. O mercado não o perdoou com vendas, mas a história o perdoou com o status de lenda. Ele se tornou a “vanguarda da Jovem Guarda”, o cara que saltou do barco quando ele ainda estava cheio de dinheiro porque buscava algo mais verdadeiro.
Os anos passaram, mas a música nunca parou. De volta a Natal, seguiu criando, tocando e destilando seu talento, que inclusive transbordou para a geração seguinte: ele é o pai de Diogo Strausz, o produtor que moldou o som contemporâneo de nomes como Alice Caymmi. O DNA criativo da família continua ditando o ritmo.
Leno se despediu em Natal, no dia 8 de dezembro de 2022. Partiu na mesma data que John Lennon, um de seus heróis. Naquele dia, a cidade — distraída com suas próprias urgências — mal parou para notar que um gigante saía de cena.
Corre entre os íntimos uma frase que resume bem essa relação agridoce: “Como Natal não pode desconsagrar Leno, é ele quem consagra Natal.” É uma ironia fina e pesada: a cidade pode até ter sido esquecida de celebrá-lo à altura, mas o brilho dele é tão eterno que acaba iluminando a cidade, queira ela ou não.
Carlos Alexandre — o brega que tinha alma

Tem o brega comercial e existe o brega com alma. O de Carlos Alexandre — batizado Pedro Soares Bezerra — era do segundo tipo. Nascido em Santa Cruz e criado nas calçadas de Natal, ele não cantava sobre amores abstratos; ele cantava o que vivia.
Em apenas onze anos de carreira, os números de Pedro Soares assustam até hoje: quinze discos de ouro, um de platina e mais de dois milhões de cópias vendidas. Num Brasil sem internet, ele furou a bolha regional e fez com que “Feiticeira”, “A Ciganinha” e “Arma de Vingança” ecoassem de norte a sul. Foram mais de duzentas composições e quatorze LPs que formaram a trilha sonora de uma classe trabalhadora que finalmente se via representada em uma letra de música.
O Artesanato do Cotidiano
O que separava Carlos Alexandre do “brega descartável” era o seu rigor como compositor. Ele era um observador atento da vida comum. Pedro frequentava os bares, as casas noturnas de periferia e as esquinas onde o amor torto acontece no fim da madrugada. Ele transformava o drama do homem comum em canção com uma honestidade visceral. Isso não é apenas música de consumo; é artesanato musical e crônica social.
Um Brega Cult
A prova definitiva de sua grandeza não está nos arquivos das gravadoras, mas no asfalto. No Rio Grande do Norte, o fenômeno dos Fãs-Clubes de Carlos Alexandre desafia a lógica da indústria fonográfica. Mesmo após o trágico acidente de carro em 1989 que o silenciou no auge, seus seguidores permanecem em vigília constante.
Até hoje, é comum ver caravanas de fãs que cruzam o estado para visitar seu túmulo e o Memorial em sua homenagem. Para esse público, Carlos Alexandre nunca foi uma “fase” ou uma piada nostálgica. Ele é uma entidade. O carinho é tamanho que muitos fãs cuidam de sua memória como se fosse de um parente próximo, mantendo viva a chama de um artista que, como poucos, soube traduzir a dor e o prazer de ser gente simples.
A cidade pode até mudar sua arquitetura, mas enquanto houver uma radiola tocando “Arma de Vingança” em algum bar de esquina, o espírito de Carlos Alexandre estará presente, provando que a honestidade melódica é o único caminho para a imortalidade.
As bandas de baile — quando Natal dançava de verdade. Bandas do RN
Existe uma geração inteira de músicos natalenses que aprendeu o ofício tocando baile. Não havia outra escola. E dessa escola saíram alguns dos instrumentistas mais completos que a cidade já produziu.
Impacto Cinco — o começo de tudo
O ponto zero da cena rock e das bandas de baile de Natal. Fundada no final de 1969, a banda fez tanto sucesso tocando cinco horas de show nas matinês do ABC e do Aero Clube que chamou a atenção do próprio Leno, que na época trabalhava na gravadora CBS. Foi ele quem os levou ao Rio em 1973 pra gravar o primeiro disco. Chegaram a dividir palco com Zé Ramalho no Teatro João Caetano com recorde de público em 1981. Pra entender o que veio depois, é preciso passar pelo Impacto Cinco.
Os Impossíveis — a visão de um empresário que virou cena

Os Impossíveis nasceram da cabeça de Emílio Carvalho — empresário, organizador e o cara que enxergou o potencial antes de todo mundo. Foi ele quem reuniu os músicos no bairro Cidade da Esperança e deu forma à banda.
Vários anos mais tarde a banda foi mudando e com o tempo dois novos integrantes entraram na formação: Kaka e Carlinhos — que anos depois seguiriam caminho próprio e formariam a Grafith.

A passagem deles pelos Impossíveis é parte da história de como a cena de baile de Natal funcionou como escola: músicos que se formaram num projeto e levaram o que aprenderam pra construir o próximo.
Se os Impossíveis dominaram os bailes potiguares por décadas, não foi só por causa do talento. Por trás do show, existia uma estratégia afiada comandada por Emílio Carvalho.
Os Terríveis — Jubileu Filho e a base que sustenta

O Grupo Terríveis tinha no elenco Jubileu Filho, multi-instrumentista de Currais Novos que chegou em Natal aos 14 anos tocando trompete e depois se tornou um dos guitarristas mais respeitados da cena potiguar. Uma das bandas mais queridas nos bailes de clube da época, e um viveiro de músicos que foram parar nos lugares mais inesperados.
Grafith — talento que não se discute, trajetória que levanta questão

Fundada em novembro de 1988 pelos irmãos Joãozinho, Kaká, Junior e Carlinhos — os mesmos que passaram pelos Impossíveis — o Grafith começou como banda de rock e baile com personalidade e atitude. Com o tempo, o som foi migrando. Hoje opera num território que mistura samba-reggae com algo que se aproxima de um axé mais primário, bem distante da identidade original.
Reconheço que são grandes músicos. Talento está fora de discussão — a família inteira tem. Mas na minha percepção pessoal, o caráter de banda de rock foi sendo diluído aos poucos até chegar num ponto em que a identidade original quase não é reconhecível. Suspeito — e é só opinião, não tenho acesso à contabilidade de ninguém — que o som foi se moldando muito em função dos boletos. O som que tocam hoje em dia tem grande apelo popular.
O que é compreensível. Respeito quem curte o som atual; simplesmente prefiro quando vejo vídeos antigos da banda.
Rock, metal e underground
Quando eu digo pra pessoas de fora que Natal tem uma cena de metal extremo ativa e respeitada, a reação costuma ser de incredulidade. Mas tem. E é séria.
Sodoma
A pioneira. Tudo começou quando Edu Heavy — filho do jornalista Luiz Maria Alves, diretor do Diário de Natal — criou o programa “Metal Mania” na Rádio Poti e resolveu montar sua própria banda. O primeiro show foi em 19 de julho de 1986. Com a formação estabilizada, o Sodoma gravou a demo Prisioneiros do Absurdo em fita cassete e foi ao Rio de Janeiro promovê-la pessoalmente, arrancando resenhas elogiosas nas revistas Metal e Rock Brigade — as principais publicações do gênero no Brasil à época. Havia propostas de gravação, mas os selos exigiam que a banda cantasse em inglês. Edu recusou. Pouco depois morreu num acidente automobilístico na Via Costeira, aos 18 anos, e a banda encerrou junto com ele.
A demo ficou décadas como objeto raro — uma fita cassete quase lendária na cena local. Somente em 2020 a editora carioca Dies Irae lançou oficialmente o disco que Edu tanto sonhara, em álbum duplo com as faixas originais, inéditos em estúdio e registros ao vivo.
A banda não morreu com Edu. Em 2020 o Sodoma retomou as atividades com nova formação liderada por Paulão Vianna na guitarra, com Gil Oliveira nos vocais, Hugo Albuquerque na segunda guitarra, Wilton César no baixo e Damião Paz na bateria. Trinta e poucos anos depois, a história continua.
Deadly Fate

Surgiu em agosto de 1989 ainda com o nome de Lótus Negra e emergiu da mesma safra histórica de Auschwitz e Hammeron — as duas bandas potiguares que estamparam a icônica coletânea Whiplash Attack Vol. 1. Contemporâneos, dividindo palcos e fanzines naquele momento fértil do metal nordestino. Mais de trinta anos de estrada, com faixas que circularam em rádios underground e entre público nacional e estrangeiro. Para qualquer fã de metal que chega em Natal, o nome Deadly Fate tem peso.
Expose Your Hate

Death metal técnico com influências de Morbid Angel e Suffocation, com respeito conquistado bem além das fronteiras do RN. Não é banda local fazendo barulho — é banda local fazendo barulho certo.
Sanctifier
Veteranos do death metal com toques de black metal e talvez a banda de Natal com maior grife no underground mundial — álbuns lançados por selos internacionais, turnês europeias, respeito conquistado onde é mais difícil de conquistar.
Discarga Violenta

O bastião do hardcore/punk crust em Natal. Posicionamento político como pilar, não como decoração. Um dos nomes mais reconhecidos do underground nordestino como um todo — não só de Natal.
Far From Alaska
Levaram o nome de Natal para o stoner rock/alternative rock nacional e internacional de uma forma que poucos artistas nordestinos conseguiram. Lollapalooza, Midem na França, Download Festival. Rolling Stone escreveu sobre eles. MTV entrevistou. Isso não acontece por acidente.
Plutão Já Foi Planeta
O projeto de pop rock/indie mais bem executado da cena contemporânea da cidade. Ficaram conhecidos nacionalmente após o SuperStar da Rede Globo, mas mantiveram a proposta autoral com produção cuidada e alcance que vai bem além do circuito local.
Khrystal — a melhor compositora que Natal tem hoje

Tem uma hora que você pesquisa um nome e fica com aquela sensação de: por que essa pessoa não é muito mais famosa?
Khrystal é cantora e compositora, e seus dois primeiros discos — Coisa de Preto (2007) e Dois Tempos (2012) — constroem uma obra que celebra os ritmos e sotaques nordestinos com inteligência e afeto. Coco, baião, embolada, referências a bairros históricos de Natal, expressões do linguajar popular local. Não é folclorismo decorativo — é composição de verdade.
O jornal britânico The Guardian, numa lista que incluía Gilberto Gil, Elis Regina e Tom Jobim, indicou aos seus leitores um vídeo de Khrystal cantando “A Carne”. Deixa isso afundar um segundo. O Guardian. Junto com Elis, Gil e Tom. Ela ainda integrou o elenco musical de Elza Soares e foi premiada com a Medalha do Mérito Cultural Câmara Cascudo.
Camarones Orquestra Guitarrística — o projeto mais elegante da cena
Se você acha que rock instrumental é algo parado ou “de elevador”, precisa ouvir a Camarones. É rock pra dançar, com uma energia que mistura surf music, ska e riffs potentes. Eles são, possivelmente, a banda mais profissional e “estradeira” que Natal já viu nas últimas décadas — já rodaram a Europa e a América do Sul diversas vezes de forma totalmente independente. É um projeto elegante, consistente e que mostra o quanto a música potiguar sabe ser cosmopolita sem perder o sotaque da guitarra.
Os músicos que o RN exportou
Dois (ou três, ou quatro) nomes que merecem estar em qualquer conversa sobre música no Rio Grande do Norte — e que a maioria das pessoas por aqui nunca ouviu falar. Não são apenas músicos; são instituições.
Antônio de Pádua: Multi-instrumentista virtuoso (trompete, violão, o que ele pegar, ele toca). Pádua é um embaixador da música potiguar na Europa, especialmente na Áustria, onde é reverenciado. É o interior do estado (João Câmara) exportando genialidade pura para os centros eruditos e de jazz do velho continente.
Kiko Chagas: Guitarrista de Natal que se tornou peça-chave nos bastidores da MPB. O cara tocou com Tim Maia, Jimmy Cliff e Elza Soares. Ele fez história na “cozinha” da música brasileira com a naturalidade de quem sabe exatamente o que está fazendo e não precisa de um holofote na Praça das Flores para se validar.
Mingo Araújo: Esse é um caso que beira o surreal. Um percussionista potiguar que saiu daqui para integrar a banda de Paul Simon (sim, o cara do Simon & Garfunkel). Imagine o nível técnico necessário para isso. Se o caminho fosse o inverso — um americano vindo tocar com um medalhão carioca — seria capa de jornal. Sendo um potiguar no topo do mundo, virou silêncio.
Manoca Barreto: Um capítulo à parte na nossa história. Manoca foi o mestre das cordas, o guitarrista que os outros guitarristas paravam para estudar. Transitou pelo jazz e pela música brasileira com um refinamento raro. Infelizmente, nos deixou em 2021, vítima da Covid-19, mas sua influência continua viva em cada músico que busca um pouco mais de sofisticação no som que sai daqui.
Gilliard: O fenômeno popular — e o que isso significa

Não tem como fazer uma lista honesta da música em Natal sem mencionar Gilliard. Mas é preciso ser honesto sobre o que ele representa.
Gilliard foi um fenômeno de popularidade. Presença de palco, carisma genuíno, e — o dado mais relevante — aparições recorrentes nos programas de Silvio Santos numa época em que a televisão aberta era o único caminho para a visibilidade nacional. Isso era raro e valioso para um artista do Nordeste nos anos 80 e 90. Ele mobilizava multidões. A memória afetiva que deixou numa parcela grande da população natalense é real e legítima.
Mas — e aqui é só observação, não execução — ele não deixou obra autoral de peso, não influenciou gerações de músicos, não aparece nas referências de nenhum artista relevante que surgiu depois. Sua relevância é sociológica e sentimental mais do que musical. Cada cidade tem o seu. Natal teve Gilliard. E tudo bem.
Dorgival Dantas — o RN que o Brasil todo canta
Honestamente não é exatamente o meu som. Mas deixar Dorgival Dantas de fora de uma lista sobre músicos do Rio Grande do Norte seria desonestidade intelectual.
Natural de Olho-d’Água do Borges, no interior do RN, Dorgival aprendeu a tocar acordeão com o pai e começou a se apresentar aos 14 anos. Passou pelo Grupo Show Terríveis em Natal, depois foi pra Fortaleza e de lá conquistou o Brasil inteiro como compositor. Em 2010, foi o quinto compositor no ranking geral de arrecadações do ECAD — atrás apenas de nomes como Victor Chaves, Sorocaba, Nando Reis e Roberto Carlos. Músicas suas viraram trilha de novela da Globo, foram gravadas por Jorge & Mateus, Michel Teló, Aviões do Forró, Bruno & Marrone. Dois milhões de seguidores no Instagram. Em 2024 foi nomeado Embaixador do Turismo do Rio Grande do Norte.
Nenhum outro músico potiguar chegou tão longe no mercado popular nos últimos vinte anos. Meu favorito continua sendo Carlos Alexandre — aquele brega tinha uma alma que o forró romântico de Dorgival não tem pra mim. Mas o talento de compositor e a escala do que ele construiu saindo do interior do RN são inegáveis.
O que O Rio Grande do Norte tem
Pesquisar esses nomes deu trabalho — e foi um trabalho que valeu a pena. Há limites no que um paulista morando há quinze anos em Natal consegue apurar com honestidade, e se algum detalhe não corresponde exatamente aos fatos, peço desculpas — a intenção foi reunir oque achei mais relevante. Qualquer correção é bem-vinda.
O que fica é a certeza de que esse legado existe, atravessa décadas, e merece mais atenção do que recebe.
Se você conhece algum nome que ficou de fora — e certamente ficou — escreve nos comentários. Esse texto é um começo, não uma enciclopédia.
Esse artigo foi escrito com base em pesquisa e em quinze anos de ouvido colado na cidade. Se você conhece algum nome que ficou de fora — e certamente ficou — escreve nos comentários.
Não sou guru, nem influencer — meu negócio é te fazer pensar (ou desistir de vez). Assisto de cinema iraniano a blockbusters de ação, sempre com minha querida cúmplice. No meu som, Napalm Death, Falcão e King Crimson convivem com Gal Costa e Erasure.
Acho que toda opinião tem o direito de estar errada — inclusive a minha. Já fui rotulado de tudo: cult, cringe, hipster, rockeiro e até reacionário. Aceito todos. O início, o fim e o meio. Aqui, a cultura alternativa é livre e a régua moral ficou na gaveta. O Véi do Blogue existe porque o mundo já tem conteúdo demais e contradição de menos.