O alcance vocal absurdo de Paul McCartney que ninguém dá bola

Paul McCartney tem um alcance vocal maior que Elvis, atinge notas comparáveis às de cantores de ópera como Pavarotti e consegue berrar Little Richard em uma música para, minutos depois, cantar baladas delicadas sem esforço. Ainda assim, quando se fala em Paul, quase sempre ele é lembrado como compositor genial ou baixista melódico. Seu talento vocal raramente entra na conversa.

E isso é uma das maiores injustiças da história do rock.

McCartney não era apenas “o cara que cantava bem”. Ele era absurdamente versátil. Podia ir do grito rasgado ao canto suave com naturalidade, sem parecer que estava mudando de personagem. Não existia essa divisão comum de “bom para rock” ou “bom para balada”. Paul fazia tudo — e fazia com controle.

Tecnicamente, seus gritos sempre foram mais firmes e afinados do que a maioria dos cantores de rock. Suas notas altas soam fortes, sustentadas e sem esforço aparente. E isso dentro de uma banda em que John Lennon também era um grande vocalista. A diferença é simples: Paul tinha alcance. Muito alcance.

Helter Skelter: quando Paul decidiu gritar de verdade

“Helter Skelter” nasce de provocação. Paul leu que Pete Townshend, do The Who, dizia ter gravado a música mais barulhenta e crua do rock. A reação foi imediata: se era para fazer barulho, os Beatles fariam mais.

O resultado foi uma das gravações mais agressivas da época — guitarras no limite, bateria em frenesi e um vocal gritado que desmonta de vez a ideia de que Paul era apenas o “romântico” da banda. No estúdio, tudo virou caos controlado. Como Ringo resumiu depois: foi loucura e histeria do começo ao fim.

E ainda tem gente que chama Paul de piegas.

Oh! Darling: obsessão pela voz perfeita

O perfeccionismo vocal de McCartney fica claro em “Oh! Darling”. Durante vários dias seguidos, ele chegava cedo ao Abbey Road, cantava a música uma única vez e ia embora. Nada de repetir. Ele queria capturar uma aspereza específica — aquela que só existe quando a voz ainda não “esquentou”.

Paul morava a poucas quadras do estúdio. A rotina era quase absurda: acordava, caminhava até lá, cantava uma vez, julgava insuficiente e voltava para casa. Repetiu isso até acertar exatamente o timbre que queria.

Hoje, curiosamente, “Oh! Darling” é mais cantada por mulheres do que por homens. Um detalhe revelador: mulheres, com vozes naturalmente mais agudas, encontram menos dificuldade para alcançar as notas que Paul gravou. Vale pensar nisso.

Maybe I’m Amazed e a nota que ninguém comenta

Em “Maybe I’m Amazed”, Paul atinge o limite extremo do seu alcance vocal, chegando ao F5. Para colocar isso em perspectiva: é a mesma nota que aparece entre as mais altas já gravadas por Luciano Pavarotti.

A técnica é diferente — Pavarotti com técnica operística, Paul usando belting —, mas o esforço físico e a precisão exigidos são comparáveis. O “baixista fofo dos Beatles” está alcançando uma nota associada a alguns dos maiores tenores da história.

E quase ninguém fala disso.

Os gritos que passam despercebidos

“Helter Skelter” não foi um caso isolado. Em “Long Tall Sally”, “I’m Down” e “Kansas City”, Paul incorpora o espírito de Little Richard com uma fidelidade impressionante. Em “Hey Jude”, os gritos improvisados no final mostram um controle absoluto da voz mesmo no limite.

O próprio Paul descreveu esse tipo de canto como algo que exige sair de si, abandonar a técnica confortável e ir além do controle racional.

Então por que ninguém liga?

Ele tem cerca de três oitavas e meia de alcance utilizável. Consegue cantar nos graves, sustentar agudos extremos, gritar, sussurrar e manter afinação e musicalidade em tudo isso. Pouquíssimos cantores de rock chegam perto desse nível de versatilidade.

Talvez isso seja ignorado porque ele nunca fez disso um espetáculo. Paul não exibia o alcance por vaidade. Não usava melismas desnecessários nem cantava alto só para impressionar. Ele usava a voz a serviço da música — e, quando não precisava, recuava.

Ou talvez seja simples demais aceitar que alguém possa ser, ao mesmo tempo, um dos maiores compositores do século, um baixista inventivo e ainda um dos maiores vocalistas da música popular.

Mas essa é a verdade: Paul teve — e ainda tem — um dos alcances vocais mais impressionantes da história do rock.

E da próxima vez que alguém disser que ele era “só o bonitinho” ou “o piegas” dos Beatles, vale lembrar: o cara cantava notas que rivalizam com Pavarotti.

Ele só tinha bom gosto demais para ficar se exibindo.

Quer mais comprovação do alcance Vocal do Beatle limpinho? Aqui estão os recibos (com links)

Leia: The Rutles a Paródia bem humorada dos Beatles.

🎤 Agora é sua vez de se comprometer

Depois de tudo isso, não dá mais pra fingir que o alcance vocal de Paul McCartney é só um detalhe da história do rock. Então vamos ser adultos aqui: qual música te fez perceber isso de verdade?

“Helter Skelter”? “Oh! Darling”? “Maybe I’m Amazed”? Ou você ainda está em negação? Escreve aí nos comentários e explica seu veredito. Julgamento silencioso garantido. 😏

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