Vou começar confessando um pecado: eu sinto culpa de ouvir Mayhem.
Não é culpa de gostar de barulho. Barulho é vocação. É outra coisa, um incômodo que chega junto com o riff gelado de “Freezing Moon” e não vai embora quando a música acaba. Porque eu cresci ouvindo lendas. O Ozzy mordendo morcego. O Gene Simmons, com aquelas botas de plataforma, pisoteando pintinhos no palco (essa eu ouvi na infância, contada com olhos arregalados, e nunca vi prova de nada). Era terror de cartão-postal, teatro barato, maldade com prazo de validade e camarim com catering.
Aí você descobre o Mayhem e percebe que a lenda de verdade não precisava de exagero nenhum.
Tem um vocalista que se matou com um tiro de espingarda e foi fotografado por um colega antes de qualquer ambulância. Tem uma onda de igrejas queimadas. Tem um guitarrista assassinado com 23 facadas pelo baixista do próprio disco que ele estava gravando. Nada disso é mito de boteco, tudo consta em processo, em jornal e em documentário. E é aí que a culpa aparece: como curtir a trilha sonora de uma história em que gente morreu de verdade?
Ao longo dos anos eu fui fazendo as pazes com esse incômodo, mais ou menos. Concluí que a culpa é parte da obra. O Mayhem nunca foi uma banda para ser ouvida com a consciência tranquila. E o mais estranho de tudo é o final da história: os sobreviventes não viraram caricatura. Eles evoluíram, e a banda de 2019 quase não se parece com a de 1994.
Este texto é a saga completa do Mayhem, da fundação em Oslo até a fase de paranoia científica, sem romantizar a violência e sem fingir que a música não é boa. Se você quer entender por que o black metal norueguês é o gênero mais perturbador e mais fascinante que o rock já produziu, senta aí.
Como o Mayhem nasceu: Oslo, 1984 e o tédio como combustível

Três garotos e um nome emprestado do Venom
O Mayhem surgiu em 1984, nos arredores de Oslo, pelas mãos de Necrobutcher (baixo), Manheim (bateria) e Euronymous (guitarra). O nome, segundo a versão mais aceita, vem de uma música do Venom, a banda britânica que deu nome ao subgênero com o álbum Black Metal, de 1982. Ou seja: o black metal foi batizado por um disco inglês, mas ganhou alma e sangue na Noruega.
E por que na Noruega? Essa pergunta rende tese de doutorado. A explicação mais repetida é a mais irônica: um país rico, social-democrata, seguro, previsível e cheio de igrejas luteranas bem conservadas produzia adolescentes entediados a ponto de querer incendiar o cenário. Quando tudo dá certo demais, alguém vai querer que dê errado. O niilismo nórdico nasceu do excesso de conforto, o que é uma piada cósmica de primeira.
As influências e o som que ainda não tinha nome
Venom, Bathory e Celtic Frost formaram a base sonora. Velocidade suja, produção precária, vocais rasgados e uma obsessão por atmosfera. Em 1986, o grupo lançou a demo Pure Fucking Armageddon, tosca e caótica. Em 1987 veio o EP Deathcrush, com Maniac nos vocais, mais cru ainda. Era um som que pouca gente entendia direito na época, e que hoje aparece em todo manual de história do metal extremo.
Detalhe que vale guardar: a semente do gênero era feia de propósito. Ninguém ali queria soar bem. Queriam soar como uma casa mal-assombrada, e conseguiram.
Dead: o vocalista que transformou o Mayhem em lenda macabra
Per Yngve Ohlin e a obsessão pela morte
Em 1988 entra na banda o sueco Per Yngve Ohlin, o Dead. Aqui a história deixa de ser rock e vira estudo de caso. Dead não interpretava um personagem. Ele cultivava uma relação doentia com a morte, e isso aparecia em tudo.
Os relatos que circulam entre fãs e biógrafos, e que eu passo com a devida cautela, dizem que ele enterrava as roupas de palco antes dos shows para que cheirassem a decomposição. Dizem também que guardava um animal morto num saco para inalar o odor antes de subir ao palco, para “chegar mais perto” do que cantava. No palco, cortava os próprios braços. Em um show de 1990, na Alemanha Oriental, cabeças de porco espetadas em estacas completaram o cenário. A gravação daquela noite virou o disco ao vivo Live in Leipzig.
Corpse paint: a maquiagem como rito de despersonalização
Dead ajudou a popularizar o corpse paint, a pintura branca e preta que transforma o rosto em caveira. Nas mãos dele, aquilo não era figurino. Era despersonalização: deixar de ser Per, virar cadáver. Hoje o corpse paint está em camiseta de shopping e em festa à fantasia, mas na origem era um pedido sincero de anonimato diante da morte. É difícil não sentir um arrepio.
O suicídio e a foto que nunca deveria ter existido
Em 8 de abril de 1991, Dead se matou com um tiro de espingarda, na casa que a banda usava como base, depois de cortar os pulsos. Deixou um bilhete que começava pedindo desculpas pelo sangue. Quem encontrou o corpo foi Euronymous.
O que o guitarrista fez em seguida define o personagem. Em vez de chamar ajuda imediatamente, ele saiu para comprar uma câmera descartável, voltou e fotografou o corpo. Aquela imagem foi parar na capa de um disco pirata, Dawn of the Black Hearts, lançado em 1995. Segundo o próprio Euronymous e relatos posteriores, ele ainda teria feito colares com pedaços do crânio de Dead e distribuído entre amigos e músicos.
Se você chegou até aqui achando que a lenda do pintinho era pesada, respire. Isso é outra categoria. Não é mais teatro. É um grupo de garotos tratando uma morte real como material de marketing. E o pior é que funcionou: o mito do Mayhem cresceu em cima daquele cadáver.
O impacto interno foi imediato. Necrobutcher, o amigo de infância de Euronymous, saiu da banda, enojado com a frieza e com a direção que a coisa tomava. A partir dali, o Mayhem deixou de ser uma banda e virou o centro de uma seita.
Inner Circle e igrejas em chamas: o black metal declara guerra
Helvete, o “Círculo Negro” e a estética da provocação
Em 1991, Euronymous abriu em Oslo a loja de discos Helvete (inferno, em norueguês) e criou o selo Deathlike Silence Productions. A lojinha virou ponto de encontro. Dali surgiu o ambiente que posteriormente ficaria associado ao chamado Inner Circle, o “círculo interno” da cena norueguesa. O termo acabou sendo usado para descrever a rede de músicos e pessoas próximas a bandas como Burzum, Emperor e o próprio Mayhem, embora o quanto aquilo tenha sido realmente uma organização formal seja discutido até hoje.
O discurso era grandiloquente: anticristianismo militante, culto à morte, romantismo pagão, guerra cultural contra a “moral burguesa” da igreja luterana. Vista de longe, parece uma seita de adolescentes com muita camiseta preta e pouca terapia. Vista de perto, o problema é que eles passaram do discurso à ação.
As igrejas queimadas
A partir de 1992, dezenas de igrejas norueguesas foram incendiadas. Algumas eram construções históricas, como a igreja de madeira de Fantoft, perto de Bergen, destruída em junho de 1992. A fotografia das ruínas de Fantoft acabou na capa de Aske, EP do Burzum. É difícil imaginar uma ironia mais explícita: usar a cena do crime como arte.
Nesse mesmo período, o clima escalou para além do fogo. Em agosto de 1992, Faust, baterista do Emperor, matou um homem em Lillehammer. A cena norueguesa deixava de ser barulho e passava a ser caso de polícia, e o mundo começou a prestar atenção.
Entra Varg Vikernes
No centro dessa história está Varg Vikernes, o homem por trás do Burzum, que entrou no radar de Euronymous como talento promissor e como rival em potencial. A relação entre os dois combinava admiração, competição e desconfiança. Varg, que chegou a tocar baixo no Mayhem, queria mais protagonismo. Euronymous queria controlar a cena. E os dois viviam num ambiente em que paranoia e ego eram moeda corrente.
A tensão financeira e de bastidores (contratos, discos, dinheiro) fez o resto.
10 de agosto de 1993: a noite que encerrou a inocência
Na madrugada de 10 de agosto de 1993, Varg Vikernes foi ao apartamento de Euronymous, em Oslo. O que aconteceu lá dentro é a parte mais debatida da história, mas o desfecho é indiscutível: Euronymous morreu com 23 facadas, a maior parte nas costas, deixado nas escadas do prédio. Tinha 25 anos.
A versão de Varg mudou de tom com o tempo, mas o núcleo é a legítima defesa. Segundo ele, Euronymous planejava matá-lo, e tinha até preparado um “contrato” de bastidores. A acusação e o júri não compraram. Do lado dos amigos de Euronymous, a leitura é a de um crime motivado por dinheiro, ego e paranoia mútua. As duas histórias têm um ponto em comum: em nenhuma delas alguém sai bem.
Varg foi preso, julgado em 1994 e condenado a 21 anos, a pena máxima do país. Também foi condenado por incêndios em igrejas. Snorre “Blackthorn” Ruch, do Thorns, que o acompanhava, recebeu pena menor como cúmplice. Varg foi solto em 2009, depois de cerca de 15 anos. O julgamento foi um espetáculo midiático: a Noruega descobria que aquele “grupo de metaleiros” tinha uma história de sangue de verdade.
É o momento em que a primeira era do Mayhem acaba. Dead estava morto por conta própria, Euronymous estava morto pelas mãos de um colega, e o mundo inteiro ficou com uma dúvida: e agora?
De Mysteriis Dom Sathanas: a obra-prima póstuma (1994)

O curioso é que o disco que consagrou o Mayhem foi lançado depois da tragédia, e carrega os três personagens da história como um fantasma coletivo.
De Mysteriis Dom Sathanas saiu em 24 de maio de 1994. Foi gravado no estúdio Grieghallen, em Bergen, com Euronymous na guitarra, Hellhammer na bateria, o húngaro Attila Csihar nos vocais e Varg no baixo. As letras, em boa parte, vieram de Dead, morto três anos antes. Quando o produto final chegou às lojas, o resumo era este: guitarra de um assassinado, baixo do assassino, letra de um suicida. Se isso não é a definição de “disco amaldiçoado”, eu não sei o que é.
O que faz esse álbum ser um clássico
A produção é gelada, quase clínica. A guitarra de Euronymous soa como vidro cortando vidro. A bateria de Hellhammer é um dos estilos mais imitados e menos igualados da história do gênero. E os vocais de Attila são uma performance à parte, mais próximos do canto litúrgico grotesco do que do rosnado convencional.
O clima é claustrofóbico. Não é agressividade pela agressividade. É atmosfera pesada, quase religiosa, algo como uma missa negra gravada por gente que acreditava mesmo estar fazendo isso.
O satanismo dessa fase
Aqui vale ser honesto: o satanismo de De Mysteriis é o satanismo de confronto. Anticristianismo, rituais, pacto com as trevas, tudo como arma contra a sociedade luterana. É um satanismo de choque, mais político-cultural do que teológico. Serve para ofender, e ofende bem.
Atenção a essa nuance, porque ela é o fio que liga o disco de 1994 ao resto da carreira. O que mudou depois foi justamente o alvo dessa raiva.
A ressurreição do Mayhem e a grande ruptura (1995 a 2004)
Ninguém apostaria numa volta. Mas Hellhammer e Necrobutcher reativaram o projeto em meados dos anos 90, com Maniac de volta aos vocais e o guitarrista Blasphemer (Rune Eriksen) completando o quarteto. O EP Wolf’s Lair Abyss, de 1997, marcou o retorno.
O grande risco era virar cover de si mesmo. A banda tinha uma mitologia pesada demais nas costas e podia viver disso para sempre, como muita gente faz. Não fizeram.
Grand Declaration of War (2000): o disco que dividiu tudo

Em 2000, saiu Grand Declaration of War. Quem esperava um segundo De Mysteriis tomou um susto. Havia influência de metal industrial, música concreta, trechos de jazz dissonante e um Maniac que trocou o rasgado clássico por algo mais próximo de spoken word. Era um álbum conceitual, estranho e cheio de rupturas.
A reação foi ruidosa. Puristas acharam traição. Críticos viram ousadia. O tempo, como costuma acontecer, foi generoso: hoje o disco é considerado uma virada corajosa, e não um erro de rota. Quem já ouviu sabe que ele soa mais como um manifesto do que como um álbum de heavy metal convencional.
Chimera (2004): a mente humana sob o microscópio

Em 2004 veio Chimera, mais direto e mais próximo do black metal, mas com um verniz técnico novo. Foi o último trabalho de Maniac na banda. Nele, o foco já não era o diabo, e sim o interior da cabeça humana: loucura, paranoia, fragmentação psíquica. O inimigo saiu da igreja e foi morar dentro do crânio.
A era moderna: ocultismo científico e paranoia tecnológica (2007 a 2026)
Ordo Ad Chao (2007): o caos como método
Attila Csihar voltou aos vocais, e o resultado foi Ordo Ad Chao, lançado em 2007. O som era intencionalmente cru e abafado, com uma mixagem pesada nos graves e a bateria sem equalização, quase um documento de sala de ensaio. O título é um jogo de palavras com a expressão latina “ordo ab chao” (ordem a partir do caos), invertida para “ordem para o caos”. E o disco foi premiado: levou o Spellemannprisen, o “Grammy norueguês”, como melhor álbum de metal, em 2008.
Repare no detalhe: a banda cujo passado era feito de crimes acabou premiada pela indústria musical do próprio país. O pária virou patrimônio, e ninguém pareceu achar isso estranho o bastante.
As letras, escritas por Attila, apontam para outra direção: poderes psíquicos, os Anunnaki, a criação da humanidade como mão de obra de uma inteligência superior. Ou seja, o inferno cristão saiu de cena e entrou em cena a ficção científica esotérica.
Esoteric Warfare (2014): a paranoia vira tema
Em 2014, com Teloch e Ghul na guitarra, o Mayhem lançou Esoteric Warfare. Aqui a virada temática chega ao ápice. As letras passam a girar em torno da paranoia moderna: guerra psicológica, controle mental, experimentos governamentais como o MKUltra, tecnologia, inteligência artificial e física quântica. O adversário já não é a igreja. É o sistema, e ele mora dentro da sua cabeça.
É a mesma raiva de 1994, só que trocando o altar pelo laboratório.
Daemon (2019): demônios que moram na psique
Em 2019, o álbum Daemon revisita a palavra “demônio” sem voltar ao diabo de gibi. Aqui os demônios são forças primordiais, medos ancestrais e impulsos que vivem no subconsciente. Não são monstros do inferno cristão. São o que a psicologia chamaria de sombra. É o disco em que o Mayhem mais parece uma banda que envelheceu com dignidade, sem virar museu.
Liturgy of Death (2026): a mortalidade sem consolo
Sete anos depois de Daemon, o Mayhem voltou em fevereiro de 2026 com Liturgy of Death, o sétimo álbum de estúdio, pela Century Media. A formação segue a mesma: Attila nos vocais, Teloch e Ghul nas guitarras, Necrobutcher no baixo e Hellhammer na bateria. O tema dispensa demônios, conspirações e laboratórios.
O foco é o medo de morrer, a perda e a fragilidade da existência, e o primeiro single, “Weep for Nothing”, já entrega isso no título. A crítica tem sido majoritariamente positiva, com quem o chame de sucessor espiritual de De Mysteriis, embora haja quem ache que a banda, pela primeira vez, ficou parada no mesmo lugar em vez de se reinventar. Para um grupo que nasceu de um suicídio, é coerente que, quarenta anos depois, o assunto seja a própria morte, dessa vez sem plateia e sem câmera descartável.
O Mayhem ainda é uma banda satanista?
Depois de tudo isso, a pergunta inevitável: eles ainda são satanistas?
A resposta honesta é: não do jeito que eram. Nas letras mais recentes, o satanismo literal deixou de ser tema central. O que sobrou é um satanismo simbólico, uma metáfora de rejeição aos valores estabelecidos, o velho “não” ao conformismo religioso e social. A estética ocultista continua presente (nome dos discos, imagens, atmosfera), mas o eixo lírico mudou para paranoia, conspiração, ciência e psique.
Dá pra dizer que o Mayhem passou de “vamos ofender a igreja” para “vamos duvidar de tudo, inclusive da realidade”. É um upgrade de niilismo, se quiser um resumo debochado.
O legado do Mayhem: de banda maldita a patrimônio cultural
O curioso da trajetória do Mayhem é que o mesmo grupo que nasceu de um suicídio, virou símbolo de crimes e teve o fundador assassinado acabou reconhecido como um dos maiores nomes do metal extremo. Seu impacto vai da estética do corpse paint às capas monocromáticas, do som “gelado” das guitarras ao culto por produções propositalmente cruas.
A cultura pop também fez sua parte. O livro Lords of Chaos (1998) e o filme homônimo de 2018, dirigido por Jonas Åkerlund, levaram a história para o grande público, embora membros da banda, como Necrobutcher e Attila, tenham criticado a adaptação. Não é para menos: quando a sua história de vida vira filme, alguém sempre acha que o retrato ficou errado.
Resumo para quem chegou atrasado no assunto (ou: O Guia de Sobrevivência do Mayhem)
Se você passou direto pelos parágrafos anteriores e só quer saber o mapa da mina para não passar vergonha numa roda de bar sobre metal extremo, anota aí:
- O disco definitivo: De Mysteriis Dom Sathanas (1994). É o monstro sagrado. Tem a guitarra de um cara assassinado, o baixo do assassino e as letras de um suicida. Se você só puder ouvir um, é esse.
- A grande pergunta (Quem matou o Euronymous?): Varg Vikernes (o Burzum), na madrugada de 10 de agosto de 1993. Varg alega legítima defesa preventiva; os fatos apontam para uma mistura tóxica de ego, disputa de grana e paranoia. Cadeia nela: 21 anos de condenação.
- Quem foi o tal do Dead? Per Yngve Ohlin, o vocalista sueco que entrou em 1988 e inventou que o palco era um necrotério. Se matou em 1991 deixando uma carta de desculpas pelo sangue e uma das mitologias mais mórbidas da história do rock.
- Por onde começar a ouvir sem darTilt? Vá na Trindade: comece pelo clássico absoluto (De Mysteriis), pule para a loucura abafada de Ordo Ad Chao para entender a mutação, e feche com Daemon (2019) para ver como a banda soa hoje, madurada e cirúrgica. Se estiver com espírito masoquista e quiser o disco mais esquisito de todos, o alvo é o industrial Grand Declaration of War (2000).
☠️ Discografia dos doidos
A evolução do Mayhem em seis discos — do black metal congelante à paranoia existencial.
1994 — De Mysteriis Dom Sathanas
O clássico absoluto. O disco que transformou a tragédia da banda em uma das obras fundamentais do black metal.
2000 — Grand Declaration of War
A ruptura. Industrial, estranho, dissonante e deliberadamente hostil a quem esperava outro De Mysteriis.
2004 — Chimera
Mais direto e brutal, mas ainda experimental. A banda começa a olhar menos para o demônio e mais para a mente humana.
2007 — Ordo Ad Chao
Cru, abafado e claustrofóbico. Attila volta aos vocais e o Mayhem mergulha de vez no ocultismo cósmico.
2014 — Esoteric Warfare
Paranoia, guerra psicológica, controle e tecnologia. O altar foi trocado pelo laboratório.
2019 — Daemon
Uma volta a uma abordagem mais tradicional, sem simplesmente ressuscitar o passado.
2026 — Liturgy of Death
O capítulo mais recente: mortalidade, angústia existencial e luto, mostrando que os velhos do black metal ainda não penduraram as guitarras.
Não é uma discografia completa. É o mapa para entender a mutação da criatura.
🔥 Continue na Toca do Metal Extremo
Se essa saga te deixou com sede de mais sangue, fogo e distorção, o Véi tem outras crônicas macabras esperando por você.
📜 Fontes e Leituras Complementares
Pra quem quer descer mais fundo no abismo, sem passar pela Wikipedia. Matérias, entrevistas e análises de veículos especializados, no Brasil e fora dele.
- Kerrang! — Necrobutcher revela que também planejava matar Euronymous
- Metal Injection — Por que De Mysteriis Dom Sathanas é escuta obrigatória no black metal
- Loudwire — De Mysteriis Dom Sathanas entre os melhores álbuns de estreia do metal
- Ghost Cult Mag — Os 25 anos lendários e trágicos de De Mysteriis Dom Sathanas
- Rolling Stone Brasil — Mayhem se apresenta em São Paulo e revisita a própria tragédia
- Blabbermouth — A primeira vez que a banda tocou o álbum inteiro ao vivo
Não sou guru, nem influencer — meu negócio é te fazer pensar (ou desistir de vez). Assisto de cinema iraniano a blockbusters de ação, sempre com minha querida cúmplice. No meu som, Napalm Death, Falcão e King Crimson convivem com Gal Costa e Erasure.
Acho que toda opinião tem o direito de estar errada — inclusive a minha. Já fui rotulado de tudo: cult, cringe, hipster, rockeiro e até reacionário. Aceito todos. O início, o fim e o meio. Aqui, a cultura alternativa é livre e a régua moral ficou na gaveta. O Véi do Blogue existe porque o mundo já tem conteúdo demais e contradição de menos.